domingo, 22 de janeiro de 2012

ACTA - o claustro preparado em silêncio



Coisas que você deve saber sobre ACTA
1. ACTA não é a SOPA "europeia". É aproximadamente GLOBAL, e será aplicada em cada país que assinar o tratado.
2. ACTA é de longe mais agressiva. ACTA não afetará apenas e tirá-los do ar na internet - as medidas vão além da vigilância de qualquer coisa que você compartilha em canais fechados.
3. ACTA não tem uma contra-campanha tão disseminada globalmente como tem a SOPA. Isso é PERIGOSO, visto que existe pouco tempo até o tratado ser assinado.
4. ACTA tem efeitos sobre a assistência média, comércio e até turismo.
5. ACTA precisa ser impedido.

Vamos começar a disseminar a mensagem e organizar uma boa e sólida resposta ao projeto.

~Início da mensagem anexada~

ACTA em uma casca de noz

O que é ACTA? ACTA significa Acordo de Comércio Anti-Contrafacção. Um novo tratado de aplicação sobre a propriedade intelectual que está sendo negociado pelos Estados Unidos, a comunidade europeia, a Suíça e o Japão, com Austrália, a República da Coreia, Nova Zelândia, México, Jordânia, Cingapura, os Emirados Árabes Unidos, e o Canadá anunciando recentemente que se juntarão ao tratado.

Por que você deve ter cuidado com o ACTA? Relatórios iniciais indicam que o tratado tem uma verdadeira extensão global e envolverá novas ferramentas de segmentação "Distribuição da internet e tecnologia da informação".

Qual o objetivo do ACTA? Dizem que o objetivo é criar novos padrões legais de aplicação da propriedade intelectual, como também aumentar os esforços globais, um exemplo do que poderia ser uma melhora na informação compartilhada entre agências de aplicação das leis dos países signatários.

Texto traduzido diretamente de Your Anon News (http://youranonnews.tumblr.com/post/16257654698/acta-in-a-nutshell-what-is-acta-acta-is-the)

Observações pessoais:

Enquanto os esforços globais e o conhecimento sobre o SOPA e o PIPA vieram à tona (pelo menos fora dos EUA) com o bloqueio e prisão dos fundadores do site megaupload.com, outro projeto ainda mais severo vagava despercebido por vários países: o ACTA. Como os projetos mais recentes que tramitaram nas câmaras estadunidenses (isso mesmo: tramitaram - http://jovemnerd.ig.com.br/jovem-nerd-news/internet/e-oficial-projeto-de-lei-sopa-esta-morto/ - mesmo ainda havendo chances de ser ressuscitado), ele é um projeto que restringe ainda mais a liberdade na internet, bloqueando não só conteúdos de sites, mas também tendo influência para mudar muitas outras áreas. Veja um video (em inglês, mas você pode clicar em CC na barra inferior para ativar a legenda) sobre o assunto:


O projeto é muito perigoso e pode causar a extinção absoluta de diversos conteúdos, bem como mudar a internet completamente, como ouvimos nos casos do SOPA e do PIPA. Na verdade, não acredito muito na efetividade de protestos contra estas leis - protestos radicais como os promovidos pelo grupo Anonymous. Penso que, como estas leis foram organizadas e motivadas por instituições privadas, apenas outras empresas que atuam na internet poderiam combater fogo com fogo, de forma bastante intensa. Mas ainda assim é de extrema importância que projetos como este sejam divulgados, e, se possível, causem insatisfação global, principalmente quando há motivações políticas (em casos de países com modelos de poder descentralizados). Assim, esses projetos perdem a confiabilidade de políticos, que se preocupam em sentar-se em suas cadeiras nas câmaras. É claro que isso não é um modelo padronizado, mas a motivação política é muito forte em momentos como esse; pudemos ver os próprios autores do projeto SOPA e PIPA abandonarem suas posições ao verem a mobilização global.

Os ataques hackers do grupo Anonymous é uma grande ajuda, pois, mesmo sendo apenas "cutuques", derrubando sites sem causar nenhum dano federal em países, é uma forma de dar um rosto a toda mobilização ao redor do mundo. Derrubar sites, na minha opinião, possui muito mais efeito simbólico do que prático - e penso que seja isso que os Anonymous pretendem fazer. Como eles mesmos dizem, são feitos de ideias, e espero que sejam mesmo; atos vandalistas são apenas medidas de curto prazo, que perdem sua força em pouco tempo.

Uma matéria do Estadão do dia 27 de setembro de 2011 já falava do projeto, fora do contexto popular até então. Eu mesmo não ouvi falar do ACTA na época: http://blogs.estadao.com.br/link/acta-sera-assinado-no-sabado/

Até agora não fui informado de nenhum efeito positivo com relação aos projetos anti-pirataria além do SOPA e PIPA terem sido postos de lado temporariamente. Com relação ao ACTA, está há muito tempo buscando partidários na surdina, e temo dizer que talvez seja tarde demais para que ele seja retardado por meros protestos virtuais ao redor do globo. Infelizmente a internet nos é necessária atualmente para todos os tipos de atividades diárias, incluindo compras e ações bancárias; justamente por isso torna-se difícil qualquer ato contrário, visto que eles estão tomando uma parte de nossas vidas. Voltamos ao regime de controle proposto por Foucault, e demonstrado por tantos outros. Nietzsche disse certa vez que "o que não mata, fortalece"; e o que aprisiona?

Segue um link da definição do ACTA na Wikipedia, para maiores esclarecimentos: http://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_Comercial_Anticontrafa%C3%A7%C3%A3o

E viva a liberdade de expressão virtual...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A Casa

O único lugar no Universo que contém todas as lembranças de nossas vidas: lágrimas, movimentos, brigas, e tudo mais. 


Nossa casa.


Quem dera esse lugar fosse eterno! Se eu pudesse, daqui a cinquenta anos, retornar àquele velho portão, abri-lo com a mesma chave, ver o mesmo quintal. Ah, aquelas acerolas caídas no chão... E aquelas várias nascendo, aos montes, pontos vermelhos e roxos que distinguiam-se um dos outros, como bolas numa árvore de natal.


E via a porta da casa da minha avó aberta. A velha sempre estava lá, sentada no mesmo sofá, remexendo os mesmos papeis, procurando saber se tomou os remédios do dia. E o velho, meu querido avô, sentado na cadeira, balançando a perna, com as mãos cruzadas e polegares afiados, competindo um com o outro num ciclo sem fim.


Na cozinha havia café, e, muitas vezes, um bolo simples comprado na padaria próxima. Mas a sensação era aquele Mate Leão que a velha fazia, com um sabor único, longe de ser o certo, mas saboroso como só ele poderia ser. Tinha sabor de fim de tarde, sabor de conversa, sabor de risos e lembranças.


Terminada a estada temporária, eu subia aquelas escadas, observando os balaústres rachados e brancos, quando resolvia olhar para o céu, e em seguida para a porta fechada. Quando abro, minha mãe, minha alegre e doce mãe. Lembro-me perfeitamente dos almoços e bolos. Nas mãos daquela mulher, até carne moída tinha um gosto especial! E os bolos... Para comprovar esta sua especialidade, pergunte a quem provou e sempre a procurou para fazer seus bolos de festas, desde simples aniversários caseiros até formaturas. Dou um beijo em sua testa e sigo para meu quarto, onde encontro minha irmã. Naquela idade, arteira e vaidosa, como toda menina deve ser. Feliz e falante, nenhum ambiente ficava quieto com ela; era quem trazia alegria em todos os momentos. Brigávamos muito, é verdade. Mas nunca deixei de abraçá-la no momento certo. 


Enquanto esquentava meu café-com-leite, meu velho pai, cansado do trabalho, chegava em casa em seu táxi. Cansado mas feliz: havia anos não o via daquele jeito. Nós estávamos bem, e tudo devemos a ele. Me arrependo amargamente por tê-lo desrespeitado inúmeras vezes, mas hoje nada daquilo ficou. Somos amigos, e me orgulho por ter um amigo tão valioso como ele: alegre, sempre de bem com a vida, esforçado. São os exemplos mais sagrados que eu pude ter retirado de alguém em vida.


E quando descia, não podia de visitar minha prima, aquela que também passou por dificuldades no passado, mas que me ensinou uma lição que eu nunca esquecerei. Volta e meia estava bicuda, com raiva de algo, mas era entendível: eu saía de sua casa e esperava que melhorasse. Depois todos estávamos rindo novamente.


As pessoas que eu mais amei estavam lá, todas em seu devido lugar, lidando com seus respectivos problemas, cada uma pensando em sua vida. E eu aqui, sentindo falta deles... Queria mesmo que daqui a cinquenta anos todos estivessem aqui, congelados, petrificados, parados no tempo, como se este não passasse, apenas vagasse zombeteiro, ameaçando adiantar o relógio. Mas o tempo não zomba. Na verdade, ele não possui estas emoções que estão neste momento no meu peito, fazendo das minhas lágrimas combustível que se transforma em palavras.


Hoje aquele quintal já não é mais o mesmo. Traduziu-se em outras histórias, outras vidas, que estão sendo vividas à sua maneira. Nunca mais vou poder contar com aquele Mate Leão, nem ver aqueles dedos rodarem, nem subir as escadas e dar de cara com meu próprio mundo. Não poderei mais correr livremente pelo quintal, me pendurar nas grades, correr como um raio por entre todos os cantos da casa... Não vou mais poder olhar o lugar onde o Dipper, nosso poodle de estimação, costumava deitar todos os dias para dormir, ali, perto da garagem, bem em baixo da árvore... Também não vou poder soltar a Polly, a beagle que veio bem depois da morte do Dipper, para correr como um jato, brincando com todos até se cansar e eu ter que levá-la de volta ao terraço, onde ficava... 


O único lugar no Universo onde eu me encontrava quando estava perdido não guarda mais as minhas memórias. É duro tocar aquelas paredes repintadas e saber que minha vida fora substituída. Minha ótima vida... Que vida...  que saudade...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Existe mesmo alguém errado na Internet, e você tem o dever moral de "mudar" esta pessoa?

Eu concordo que haja coisas chatas e desagradáveis demais na internet, como posts com Caps ativado, sem noção ou aqueles espertinhos que adoram explicar uma piada que todo mundo entendeu. Mas também acho que a internet é feita disso, inevitavelmente. Eu vejo pessoas querendo aparar o modo com outras falam, vejo outras quase citando um código de conduta inexistente na internet...


Aqui no Brasil tem mesmo muito disso. Mas penso que as pessoas chatas que gostam de apontar, criticar e querer consertar também existem aos montes. Eu sou uma delas, inclusive. Já fiz isso milhões de vezes: apontei, critiquei... Hoje percebo que foi em vão. Querendo ou não, o brasileiro é assim; seja isso fruto da disseminação tardia de computadores (a chamada "inclusão digital"), ou porque é a essência dele mesmo. Muitos adorariam ler textos e opiniões no estilo inglês, ou alemão - estilos frios e/ou inteligentes - porque são assim. Outros não ligam tanto pra isso.


Meu ponto é: quanto menos você se irritar com essas coisas, mais tempo de vida você vai ter. Porque não é reclamando que essas coisas mudam, nem impondo um código de conduta moral e ética que as coisas vão se resolver. Aqui no Google+ eu vejo muito disso: as pessoas não podem dar uma opinião "deslocada" que já são criticadas. Parece que querem que a opinião pública - que é uma teoria caindo muito mais pro lado de utopia - se instale aqui antes de qualquer coisa. Digo e repito, para que minha publicação não seja marcada pela hipocrisia: já fui assim um dia, e com várias pessoas, inclusive amigos. Mas acho que o grande barato de ser humano é errar e admitir que errou após, e melhorar no que errou.


Gosto muito daqui, mesmo não falando com muitas pessoas. Por enquanto é um grande fórum, com pessoas e ideias legais a serem disseminadas. Mesmo que haja coisas muito chatas de serem lidas (ou: mesmo que não haja muitas coisas que você queria ler), podemos parar e pensar que alguém gosta de viver assim. E, se for insuportável, simplesmente ignorar ou bloquear.


Foucault se surpreenderia com o conceito de "sociedade disciplinar" ser aplicado justamente na aldeia global.




William