quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Corrida


Correu. Percebeu quão atrasado estava, e correu. O ponteiro maior do relógio já ia avançando as nove da manhã, e sua ansiedade somava-se ao desespero, à angústia. Não podia se atrasar. Era possível que se atrasasse? Não. Apenas quase. Não aconteceria de novo. Claro que não. Não podia. Havia sido displicente antes, mas não era suficiente para... Ou será que era?

Sim, era. Atrasou-se. Bateu, esmurrou a porta, mas ela não abriria de forma alguma.


Aos poucos a cena tornou-se inusitada, a coloração vermelha: sangue. Em seus joelhos, mãos, cabeça. Estava ensopado. Quem o visse correria para ajudar, mas seus próprios gritos o deixaram surdo, de modo que toda ajuda era inútil. Continuou a destruir-se à porta. Justamente quando os gritos e socos diminuíram, a porta se abriu.


Apenas para que um integrante do apartamento pudesse sair, olhar para o desfalecido jogado na soleira da porta, e sumir em alguns lances de escada depois. Apenas por esse detalhe. A porta continuou aberta, deixando sons quase inaudíveis despertarem-no; ironicamente ele já não possuía mais forças para colocar-se de pé e atingir seu objetivo.

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